- “O CRMV-RJ foi o primeiro conselho da área da saúde no Brasil a ser signatário da ONU.”
- “A profissão precisa se especializar para não saturar o mercado e perder valor.”
- “Animal Health Science é uma vitrine de inovação e valorização da Medicina Veterinária brasileira.”
Com apenas 45 anos, Diogo Alves da Conceição já entrou para a história: é o mais jovem médico-veterinário a integrar a Academia Brasileira de Medicina Veterinária (Abramvet). Formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em Saúde Pública e Vigilância Sanitária, ele comanda o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) com uma gestão marcada pela modernização e pelo diálogo.
“Hoje priorizamos o caráter pedagógico, e não punitivo, nas fiscalizações. Trabalhamos para fortalecer o diálogo e oferecer suporte técnico ao profissional”, afirma. Sob sua presidência, o Conselho tornou-se o primeiro da área da saúde no Brasil a ser signatário da ONU, reafirmando o compromisso com a sustentabilidade e a Saúde Única.
Desafios e conquistas de uma nova gestão
Entre os avanços da atual gestão estão as fiscalizações noturnas e a proposição de projetos de lei fundamentais para a categoria: o Exame Nacional de Conhecimento Profissional (ENCP), o PL do descanso digno e o IML Veterinário no Rio de Janeiro.
O presidente do CRMV-RJ, Diogo Alves, também apoiou o Projeto de Lei nº 4.256/2023, que propõe o fim da emissão da Cédula de Identificação Profissional (CIP) Secundária — uma das propostas apresentadas ainda durante sua campanha à presidência do Conselho. A iniciativa está alinhada à Lei da Liberdade Profissional, que assegura que o registro em um único Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) seja suficiente para o exercício da profissão em todo o território nacional, de forma análoga à Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Segundo Diogo, essa pauta faz parte de um conjunto de quatro projetos de lei federais e dois estaduais, todos idealizados por ele, ainda antes de assumir a presidência, enquanto cidadão brasileiro.
“A propositura de projetos de lei é um direito de qualquer cidadão. Antes de ser presidente e médico-veterinário, sou cidadão, e apresentei essas propostas por acreditar que representam avanços importantes para a nossa categoria e para a sociedade”, destacou.
Entre os projetos apresentados, estão o Projeto de Lei 5006/2025, que propõe a presença obrigatória de médico-veterinário em supermercados; o PL nº 2.154/2024, que prevê a obrigatoriedade de médico-veterinário nos estabelecimentos comercias que comercializem medicamentos veterinários e defensivos agrícolas que especifica, em tempo integral durante o período de funcionamento.
“É a primeira vez na história do Sistema que projetos de lei com origem em propostas do Conselho são protocolados tanto no Congresso Nacional quanto na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o que representa um marco para a Medicina Veterinária fluminense”, ressaltou o presidente.
Para Diogo, a reconquista da credibilidade institucional é o maior legado. “O Conselho precisa ser um parceiro do profissional, não um órgão meramente fiscalizador.”
Hoje, o CRMV-RJ reúne quase 23 mil profissionais inscritos, e tem investido em capacitação técnica e atualização por meio dos Vet Meetings, eventos que abordam tendências e práticas contemporâneas da Medicina Veterinária. “O veterinário generalista está fadado ao fracasso. É preciso se especializar e buscar diferenciação”, enfatiza.
Inovação e valorização profissional
O Conselho tem lançado novas iniciativas voltadas ao bem-estar e à valorização do médico-veterinário. Um exemplo é o Clube de Benefícios, que concede descontos com empresas parceiras e permite que o profissional tenha, na prática, uma “anuidade cashback”.
Outra inovação é o LinkedInVetZoo, uma plataforma digital em desenvolvimento que conectará profissionais e empresas, possibilitando contratações baseadas em competências.
Na esfera política, Diogo é representante da Comissão Institucional do CFMV para Assuntos Parlamentares, articulando projetos no Congresso Nacional. “Uma vez por mês, passamos uma semana em Brasília defendendo pautas que impactam nossa profissão”, explica.
Educação e ética: pilares da profissão
Um dos temas que mais preocupa o CRMV-RJ é o crescimento desenfreado de cursos de Medicina Veterinária. “Há faculdades que visam apenas o lucro, oferecendo ensino precário. O maior prejudicado é o aluno e, depois, a sociedade”, alerta Diogo.
Ele defende que os futuros profissionais escolham universidades com estrutura prática, hospital veterinário 24 horas e corpo docente qualificado, conforme as diretrizes do MEC.
Sobre o uso de novas tecnologias, o CRMV-RJ segue as normas da Resolução nº 1.465/2022 do CFMV, que regulamenta a telemedicina veterinária. “O atendimento presencial continua sendo o padrão ouro, mas a tecnologia é uma aliada quando usada com ética e responsabilidade.”
Um futuro promissor para o setor
O setor veterinário no Brasil vive um momento de expansão, impulsionado pela humanização dos animais, pela tecnologia e pelo crescimento do mercado pet. “O veterinário do futuro precisa dominar tecnologia, gestão e comunicação”, destaca Diogo.
Ele aponta tendências em áreas como fisioterapia, reabilitação, acupuntura e terapias integrativas, além das oportunidades no agronegócio com o avanço das biossoluções. Para ele, atualização, marketing digital e profissionalismo são palavras-chave para o sucesso.
Mensagem à nova geração veterinária
Aos estudantes, o presidente recomenda pesquisa, responsabilidade e foco na formação de qualidade. “Escolham bem a instituição e mantenham-se éticos, inclusive nas redes sociais”, orienta. Já aos profissionais, o recado é claro: “Invistam em educação continuada e participem da vida do Conselho. O fortalecimento da classe depende do engajamento coletivo.”
| Box Animal Health Science: a força do encontro do setor Para Diogo Alves, feiras e congressos de saúde animal são fundamentais para o crescimento da profissão. “Esses eventos promovem desenvolvimento técnico, networking e novas oportunidades de negócios. A Animal Health Science, em especial, já é uma realidade consolidada e um dos maiores encontros do setor veterinário no país. Ela traduz o espírito de inovação e integração que a Medicina Veterinária brasileira precisa para seguir avançando.” |



